Depois de apontadas 183 irregularidades e resolvidas apenas 38, em 11 anos, o hospital e maternidade Cyro Silveira ganha novos capítulos da sua mais longa novela, da qual a premissa é a falta de investimentos na saúde pública de Iporã. Com a conclusão do inquérito civil 0066-15.000268-2 e o oferecimento da ação civil pública 0002232-70.2023.8.16.0094, brilhantes trabalhos do MPPR, o Município, através do prefeito Roberto da Silva, o Robertinho, se viu obrigado a celebrar um termo de ajustamento de conduta, o conhecido TAC, instrumento jurídico que evita condenação por improbidade administrativa. O acordo 0066.25.000323-4 foi assinado dia 14 de janeiro. O Conselho Superior do MP aprovou. E na Vara da Fazenda Pública de Iporã, o juiz Andrei José de Campos, dia 22 de janeiro, homologou o TAC por sentença, colocando fim na ação. Robertinho tem seis meses para cumprir todas as obrigações que assinou na Justiça. Caso contrário, será multado em R$ 1.000,00 por dia.
O inquérito e a ação mostram que a primeira inspeção no hospital ocorreu em 25/3/2015. A 12ª Regional de Saúde sediada em Umuarama repassou preocupantes relatórios ao Ministério Público, apontando várias falhas na unidade hospitalar. Na última década, tanto a Regional quanto o MP, pediram para o Município sanar problemas críticos no pronto-socorro, centro cirúrgico e maternidade. O promotor de Justiça Gean Paulo da Silva informa que agora o Município também está assumindo o compromisso de implantar rigorosos protocolos de controle de infecção, para a segurança dos pacientes. “Foi fixado prazo de seis meses para o cumprimento integral de todas as obrigações. Para garantir que as melhorias saiam do papel, uma comissão especial será instituída e ficará responsável por fiscalizar cada etapa da execução. Com essa ação a Promotoria de Justiça da Comarca de Iporã reafirma seu compromisso com a população em defesa de um serviço de saúde digno dentro das normas sanitárias em atendimento à Constituição Federal”, afirma o representante do MP.
O inquérito foi instaurado em 2/9/2015 pelo promotor Danilo Cardoso Decco. A ação protocolada em 6/10/2023 pelos promotores Julio Cesar Moraes Comin e Rafael Vittorazze Azzola.
As medidas acordadas são amplas, abrangendo tanto questões técnicas quanto aspectos relacionados às condições gerais e à estrutura física do hospital, bem como ao sistema de gestão da qualidade, às condições de saneamento, ao projeto arquitetônico, à limpeza e à zeladoria, entre outras.
Show vale mais que gente
O hospital “está na UTI”, “respira” com ajuda de aparelhos, enquanto o comendador Robertinho paga com dinheiro público polpudos valores em shows. Acompanhe os últimos números estimado leitor iporãense: Cesar Menotti e Fabiano (R$ 47.040,00 + R$ 432.960,00 + R$ 8.330,00 + R$ 76.670,00 = R$ 565.000,00); Ícaro e Gilmar (R$ 270.600,00 + R$ 29.400,00 = R$ 300.000,00); e George Henrique e Rodrigo (R$ 19.600,00 + R$ 180.400,00 = R$ 200.000,00). São R$ 1.065.000,00 — mais de 1 milhão de reais. Vale lembrar que tudo isso é bancado (liquidado) com recursos livres. Sabe o dinheiro que está na conta da Prefeitura e pode, por exemplo, ser investido direto na saúde, sem miséria? Então, é essa grana. Sabe de onde ela vem? Justamente do seu IPTU, IPVA, alvará de licença e ITBI.
De um lado, dinheiro e gogó político para inaugurar viaduto. Do outro, leitos e corredores de hospital sem condições básicas de funcionamento. É o retrato de uma prioridade distorcida: o viaduto cuidado e a saúde da população não.
Outra linguagem simples: na propaganda oficial e na eleição, o hospital funciona perfeitamente; na vida real, é no improviso e sem estrutura para cuidar devidamente dos pacientes.
Cadê os vereadores?
O quadro desenhado é de um governo que trata viaduto melhor que gente — mais que a saúde do iporãense. É esse desequilíbrio de prioridades que precisa ser exposto e cobrado pelos vereadores, ou a Câmara de Iporã é o cartório da Prefeitura, que carimba tudo o que o comendador Robertinho manda à casa de leis?
A ilustre população do Iporã não precisa de shows caros. Precisa, antes de tudo, de médicos, enfermeiros, remédios, de hospital funcionando direito e de forma digna. O restante vem depois, senhores políticos.
Sob suas regras e não as do povo
Sem discussão, Robertinho é uma das grandes lideranças políticas na cidade. Contudo, porém, todavia, no entanto, e, entretanto, o fato de não cuidar direito do hospital — como manda a lei — mostra que Robertinho administra a Prefeitura sob suas regras. Não as do povo. O iporãense deve se lembrar do decreto draconiano baixado por Robertinho em janeiro do ano passado. O mandatário fechou quase tudo, com a justificativa da Prefeitura estar “quebrada”. A caneta de Robertinho pesou no primeiro trimestre. O artigo 5º, parágrafo único, do decreto draconiano determinou o seguinte: “Todas as despesas originadas de registros de empenho deverão ser submetidas à verificação e aprovação do Gabinete do Prefeito, até o dia 31 de março de 2025, sob pena de invalidade das respectivas ações.” Decerto, até papel higiênico, se Robertinho não deixasse, não era para ser comprado.
Se o comendador Robertinho, no terceiro mandato de prefeito (2013 a 2016, 2017 a 2020 e 2025 a 2028) não é capaz de cumprir o mínimo estabelecido para manter um hospital funcionando sem riscos, a fim de que senta na cadeira política mais importante da cidade? Vale lembrar que, de 2021 a 2024, o prefeito foi Sergio Luiz Borges, eleito em 2020 pelo mesmo grupo político do comendador Robertinho.
O espaço deste jornal está aberto para que, querendo, enviem documentos e fotos em alta resolução, informando se foram ou estão sendo feitas reformas no hospital. Fatos que ainda não chegaram aqui podem ser contados no contato@jornalcoluna.com.br.
Atualização
Matéria está nas páginas impressas da edição 769, de quinta-feira, 12/2/2026 — páginas 6 e 7. Se passaram seis meses da assinatura e homologação do Termo de Ajustamento de Conduta, onde o comendador Robertinho precisa informar à população se cumpriu com as obrigações, isto é, se honrou o que assinou na Justiça. Caso contrário, será multado em R$ 1.000,00 por dia.
Reforçando, o espaço deste jornal segue aberto para que, querendo, relatem com documentos o que fizeram até agora.
Leia PDF com o TAC: multa de R$ 1.000,00 por dia para cada obrigação descumprida:
Acompanhe petição inicial feita pelo MP, propondo ação civil pública contra o Município de Iporã e o Estado do Paraná. Vai completar 11 anos que a Justiça pede ao prefeito melhorias no hospital e maternidade Cyro Silveira.
Em julho de 2023, o Ministério Púbico apontou, de novo, diversas irregularidades, entre elas a precária instalação de gás de cozinha, goteiras na sala de emergência e materiais higienizados guardados no chão do hospital. Analise a ata de visita e inspeção.





