sexta-feira, 6 de março de 2026

Federação da Agricultura vê com preocupação possível classificação da tilápia como espécie invasora

Medida pode colocar em risco a sobrevivência de milhares de produtores. Paraná é o maior exportador de tilápia do Brasil.
22/10/2025 03:06
Atualizado há 5 meses
A piscicultura é um dos setores mais estratégicos para a economia do Paraná e do Brasil. Fotos: Assessoria / FAEP em 13/10/2025
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Antonio Castanha Filho
Da Redação, com Assessoria
contato@jornalcoluna.com.br

O Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) acompanha com preocupação a proposta da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), de incluir a tilápia na lista de “espécies exóticas invasoras”. A medida, caso aprovada, pode resultar em restrições severas e até na proibição da atividade, colocando em risco a sobrevivência de milhares de produtores paranaenses e elevando o preço do pescado para os consumidores.

O Paraná responde por 36% da produção nacional de tilápias e por 25% da produção de peixes do país, movimentando toda a cadeia produtiva, incluindo ração, frigoríficos, transporte e comércio. A atividade gera mais de 2,2 mil empregos diretos e indiretos no Estado e garante a renda de milhares de pequenos e médios produtores.

Além disso, o Paraná é o maior exportador nacional de tilápia. Nos anos de 2023 e 2024, as exportações paranaenses cresceram 94% em valor e 68% em volume, reforçando a importância do setor para a economia estadual e para o posicionamento do Brasil no mercado internacional de pescado. A C.Vale, por exemplo, exporta 75 toneladas de pele de tilápia todos os meses para Taiwan para a produção de cosméticos.

“A tilápia é uma espécie domesticada, cultivada há mais de 25 anos com autorização do Ibama e em condições controladas. É fundamental que as políticas públicas considerem os benefícios econômicos e sociais da piscicultura, sempre aliados a práticas sustentáveis de manejo”, afirma o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O setor é estratégico para a economia do Paraná e do Brasil, e decisões precipitadas podem comprometer toda a cadeia produtiva e o emprego de milhares de famílias”, reforça.

Cooperativa C Vale em Palotina exporta 75 toneladas de pele de tilápia todos os meses para Taiwan para a produção de cosméticos. Foto: Jonathan Campos / AEN

Noroeste e Oeste

Segundo a Divisão de Estatísticas Básicas do Deral, a cadeia de pescados apresenta o crescimento mais acelerado em 2024. Desde 2014, o Valor Bruto de Produção dos pescados de água doce registrou um avanço médio anual de 10,6%, já considerada a inflação. Nesse mesmo período, a produção de tilápia cresceu notáveis 171%, saltando de 71 mil toneladas para 192 mil toneladas.

A consolidação desse pescado como principal atividade da aquicultura decorre dos avanços tecnológicos aplicados à organização da cadeia e da crescente expansão do mercado. Para se ter uma ideia, na Regional de Toledo foram produzidas 107.630 toneladas de tilápia em 2024, com destaque para Palotina (15.200), Assis Chateaubriand (14.700), Toledo (14.000), Terra Roxa (10.600) e Nova Santa Rosa (9.950).

Segundo a Divisão de Estatísticas Básicas do Deral, a cadeia de pescados apresenta o crescimento mais acelerado em 2024

Já na Regional Umuarama, foram 7.892 toneladas, com destaque para Francisco Alves (4.053), Iporã (2.287), Brasilândia do Sul (1.058), Maria Helena (125) e Umuarama (100). “A tilápia é uma espécie domesticada, cultivada há mais de 25 anos com autorização do Ibama e em condições controladas. É fundamental que as políticas públicas considerem os benefícios econômicos e sociais da piscicultura, sempre aliados a práticas sustentáveis de manejo”, afirma o chefe do Deral em Umuarama, Ático Luiz Ferreira.

 

Pequenos produtores em alerta

No aspecto social, o Sistema FAEP alerta que pequenos produtores – que constituem a maior parte do setor – seriam os primeiros a sentir os impactos, sem condição de adaptação rápida às novas regras. Isso poderia gerar desemprego em massa de diversos elos da cadeia produtiva, afetando diretamente milhares de famílias que dependem da piscicultura para sua renda. (Com informações Sistema FAEP)

A consolidação desse pescado como principal atividade da aquicultura decorre dos avanços tecnológicos aplicados à organização da cadeia e da crescente expansão do mercado

 

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